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29.08.2018 - 17:07

Revelando Campo Grande, professoras apresentam a cidade e o conhecimento para alunos da EM Wilson Taveira

Se a alfabetização pode ser considerada uma importante etapa da vida escolar, o que dizer quando esse período é enriquecido com noções de pertencimento? A terceira reportagem da série "Educação pública de Campo Grande - Professores de inspiram, estudantes que conquistam!" mostra como professoras dos 2º e 3º anos estão transformando essa fase da educação, com arte, cultura e história campo-grandenses
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O sol escaldante espanta o vento e começa a deixar para trás o frio que, vez ou outra chega nesses grandes campos do Centro-Oeste. A manhã que iniciou gelada, torna-se ideal para apresentações. No dia 24 de agosto, às vésperas do aniversário de 119 anos da Capital de Mato Grosso do Sul, a escola estava belamente ornamentada com pinturas, maquetes, desenhos, livretos. Todo o trabalho produzido pelos 347 alunos, das 15 turmas de 2º e 3º anos dos períodos matutino e vespertino, que conheceram com mais profundidade, a história da sua cidade. Era dia de culminância da 3ª edição do projeto “Campo Grande - História e Cultura” e a alegria estampava os rostos de professoras e alunos.

“O resultado que atingimos é maravilhoso. Além do aprendizado, o envolvimento da família é muito importante. Hoje o evento não é aberto à comunidade, por uma questão de estrutura, mas ao longo dos meses, muitos vieram se oferecer para ajudar e contar as experiências dos seus filhos. Mãe que vem colaborar na colagem dos cartazes e trabalhos, pai que fez um passeio com a filha. A comunidade responde positivamente. É muito bom! Tanto que já estamos na terceira edição”, comemora a professora Nélida Ribeiro, uma das idealizadoras do projeto.

Nélida explica que o objetivo é tornar a aprendizagem significativa. “Nós trabalhamos a história da cidade com o foco na alfabetização. Todos os componentes curriculares tratam do tema. O mais importante para nós é oportunizar o conhecimento. Não tem avaliação, cobranças. O que queremos é que conheçam a história do lugar onde vivem”, revela a educadora.


Para além dos 119 anos de Campo Grande, o trabalho das professoras remontou ao período anterior à chegada de José Antônio Pereira e mostrou às crianças como as raízes miscigenadas de Campo Grande fazem a riqueza cultural da cidade.

“Um aspecto muito importante é que trabalhamos as diferenças. Fizemos a contextualização do início da cidade. Explicamos que José Antônio não veio sozinho. Também ressaltamos que pesquisas demonstram que, muito provavelmente, quando ele chegou aqui já existia uma comunidade negra quilombola, liderada pela Tia Eva. Nós exemplificamos com um mapa, as distâncias da região da Tia Eva e do local onde era a fazenda Bálsamo, de José Antônio Pereira. Levantamos o questionamento sobre onde estariam as aldeias indígenas. Foi muito rico”, detalha a professora do 2º ano, Danielle Kool.


Visando o aprofundamento lúdico desse conhecimento, as professoras convidaram artistas, esportistas e educadoras que representam as muitas faces campo-grandenses. As visitas dos mestres de artes marciais orientais, como Judô e taekwondo, agitaram as aulas de educação física. Nas artes visuais, o artista plástico Apres Gomes realizou uma oficina de pintura com as turmas. “Foi um sucesso absurdo. As crianças adoraram e se envolveram muito”, relembra Daniele.

Na semana da culminância do projeto, a professora Maria Auxiliadora Bezerra, mulher indígena, educadora da EM Sullivan Silvestre – Tumune Kalivono, que fica na Aldeia Urbana Marçal de Souza, esteve na EM Wilson Taveira. Foi uma oportunidade para as crianças conhecerem um pouco da cultura Terena e entender a importância das etnias indígenas na formação de Campo Grande.

Indígenas, mineiros, paraguaios, japoneses, gaúchos, árabes, europeus. Toda a pluralidade da formação histórica e cultural visitou as aulas dos pequenos estudantes, durante cerca de 45 dias do projeto.