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20.11.2018 - 14:48

Africanidades marca Consciência Negra Na EE Joaquim Murtinho

A história e cultura Afro-brasileira perpassam o fazer pedagógico da escola de Ensino Médio há 11 anos
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O Dia Nacional da Consciência Negra carrega um mundo de significados e deve nos levar a refletir sobre a luta pela existência, sobrevivência, liberdade, direitos e respeito, que a população negra do Brasil enfrenta, diariamente, desde muito antes da morte de Zumbi, em 20 de novembro de 1695, no quilombo dos Palmares (localizado no estado de Alagoas).

Douglas Belchior, no artigo Sobre o Conceito de “Consciência Negra”. Leia e saia da ignorância!, publicado em seu blog nesta terça-feira (19), explica como Steve Biko, ativista negro sul-africano antiapartheid, assassinado aos 30 anos de idade, em setembro de 1977, definiu "Consciência Negra seria, em essência, a percepção por parte da pessoa negra, de sua necessidade em reunir forças junto aos seus irmãos em torno da causa de sua atuação – a negritude de sua pele – e de agir como um grupo, a fim de se libertarem das correntes da servidão".

Essa reflexão já é feita há mais de uma década na EE Joaquim Murtinho, por meio do projeto Africanidades - Diversidade Étnico-Racial e Cultural. Em 2018, a 11ª edição do projeto teve sua culminância, com apresentação das pesquisas de alunos de todas as turmas de 2º ano matutino, nos dias 13 e 14 de novembro e encheu a escola de conhecimento, cultura, arte, protesto e crítica social (Veja fotos aqui).

O professor Izadir Oliveira coordena o trabalho desde o início com um objeto educacional definido: implementar a Lei 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira, nos escolas públicas e privadas do país.

“A lei foi criada, mas nem todas as escolas conseguem por em ação esses estudos. Isso é o que nós fazemos há onze anos aqui na EE Joaquim Murtinho. Nós não trabalhamos a temática apenas no mês de novembro, por causa do dia 20, o ensino sobre a história e cultura da África e Afro-brasileira é cotidiano, ao longo do ano e em todas as disciplinas do 2º ano do Ensino Médio”, explica Izadir.

A prática interdisciplinar é mais uma decisão embasada na legislação. Que diz em seu parágrafo 1º: O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil.

Foi essa variedade de pesquisas que se viu na escola nos dias de culminância de Africanidades. “Temos trabalhos muito interessantes como o do Baobá; uma ressignificação do livro ‘Quarto de Despejo’, da Carolina Maria de Jesus; tem o trabalho sobre Sensações, que possibilita aos visitantes sentir como era ser negro no período colonial; temos também um trabalho na área de ciências biológicas sobre o porquê do super rendimento dos atletas negros em atletismo”, elenca o professor.


“Um destaque desse ano é um projeto de física em que os estudantes pesquisaram sobre os cientistas negros. Levantaram mais de 30 cientistas que inventaram coisas tão importantes, que estão presentes no nosso cotidiano, e a pessoas não imaginam que são cientistas negros. Principalmente, porque essas pessoas não aparecem em livros didáticos, nos estudos que se faz no cotidiano da escola”, defendeu o professor.

Ao percorrer os espaços da escola, os estudantes abordam os visitantes com a avidez comum à juventude, a fim de explicar as muitas experiências e conhecimentos que viveram para expor suas descobertas. Os jovens Gabriel, Bruna, Salatiel e contam como foi criar poesia para retratar o racismo. O projeto na área de literatura e Língua portuguesa levou os estudantes a pesquisarem notícias sobre racismo, fazerem uma leitura crítica sobre o fato e transcrever suas conclusões, sensações e sentimentos em versos.

“Foi interessante. Porque muitas vezes nós vemos notícias com esse teor e não refletimos sobre. Trabalhando nossas ideias, nós percebemos que vai muito além de uma simples notícia. Tem sentimento, tem dor, tem história do país. E isso nós só conseguimos expressar através da poesia”, revela Bruna.